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Impacto da pandemia na indústria de calçado menor do que o esperado

Friday, July 30, 2021
Portugal resiste melhor do que os concorrentes internacionais
Impacto da pandemia na indústria de calçado menor do que o esperado


A produção e as exportações mundiais de calçado caíram 15,8% e 19%, respetivamente, de acordo com World Footwear 2021 Yearbook. O efeito da pandemia no setor do calçado foi menor do que se esperava. Também o calçado português resistiu melhor do que os concorrentes internacionais.

Ao nível da produção, Portugal registou uma quebra de 13,2% para 66 milhões de pares, cerca de metade da quebra registada por Itália (quebra de 26,8% para 131 milhões de pares) e de Espanha (26,5% para 72 milhões de pares).

No plano externo, Portugal continua a apresentar, entre os principais produtores mundiais, o 2º maior preço médio de exportação, não obstante o esforço significativo de diversificar a oferta, através de produtos em matérias-primas alternativas à pele. No segmento específico do couro, Portugal perfila-se como o 9º exportador mundial, com uma quota de 3,1%, mas é no segmento waterproof que Portugal mais se distingue: é atualmente o 4º a nível mundial, com uma quota de 3,7%.

Cenário mais animador
Em 2020, o painel de especialistas inquiridos pela publicação (World Footwear Experts Panel) apontava para uma quebra no consumo mundial de calçado superior a 20%. Apesar de os números finais de 2020 nos países desenvolvidos da Europa e América do Norte estarem em linha com essas expectativas, a Ásia e os países menos desenvolvidos superaram as expectativas.

A queda da produção mundial foi de 15,8%, correspondente a 4 mil milhões de pares, um número que destrói, ainda assim, todo o crescimento acumulado nos últimos dez anos.


Ásia lidera

Apesar do impacto da pandemia, a distribuição geográfica da produção não foi afetada, e continua maioritariamente concentrada na Ásia, onde quase 9 em cada 10 pares de calçado são fabricados. A Ásia conseguiu aumentar a participação na produção mundial em 0,2 pontos percentuais e a China continua no pódio como o maior produtor mundial de calçado, com 54,3%. No entanto, em 2020, o gigante asiático reduziu a produção em mais de 2 mil milhões de pares e continuou a perder peso na cena competitiva mundial (queda de um ponto percentual). Isso reflete um deslocamento da produção para outros países vizinhos.

Exportações europeias aumentam participação

A pandemia COVID-19 interrompeu as cadeias de valor internacionais, levando a uma redução na percentagem da produção exportada, que caiu de 62% para 59%. A Ásia continua a ser a fonte da maior parte do calçado exportado, mas a sua participação no total mundial tem diminuído lentamente nos últimos dez anos. Essa tendência continuou em 2020. O mesmo está a ocorrer com todos os outros continentes, exceto a Europa, cuja participação nas exportações mundiais aumentou quase 4 pontos percentuais desde 2011. Isso reflete a alta intensidade do comércio intra-europeu e um forte processo de integração na área.

A China continua a ser líder indiscutível nas exportações de calçado, mas em 2020, e pela primeira vez, o Vietname superou 10% das exportações mundiais (volume). Em valor, o país tornou-se o maior exportador de calçado têxteis, ultrapassando a China. É a primeira vez, desde a publicação do Yearbook que a China não lidera a lista de exportações de uma categoria de calçado.

O total de calçado exportado em 2020 (12,1 mil milhões de pares) teve uma queda de 19% em relação ao ano anterior. Este é o menor valor registado nos últimos dez anos. Em valor, a queda foi menor (14%), levando o total das exportações aos níveis de 2013.

A evolução do preço médio de exportação por par continua a apresentar uma tendência ascendente, crescendo a uma média de 3,3% ao ano desde 2011. Em 2020, apesar das tendências negativas, o crescimento dos preços acelerou a 6%, com o preço médio a exceder, pela primeira vez, os 10 dólares pela primeira vez.

Consumo: Ásia lidera

A pandemia COVID-19 teve um forte impacto no consumo de calçado nas economias desenvolvidas da América do Norte e da Europa, contribuindo para a redução da lacuna entre o consumo per capita nos continentes. No entanto, ainda existem diferenças geográficas importantes nos padrões de consumo. Por exemplo, o consumo per capita de calçado varia de 1,5 pares na África a 4,3 pares na América do Norte.
Em 2020, o consumo da Ásia representou mais da metade (55,8%) do total em todo o mundo. Europa e América do Norte representam 13,6% e 13,1%, respetivamente.

A União Europeia, enquanto região, representa o quarto maior mercado consumidor de calçado com 1,763 milhão de pares consumidos em 2020. Estes números representam uma queda de duas posições no ranking, influenciados pelo duplo impacto do Brexit e da pandemia.

Pela primeira vez, os EUA apresentam um consumo inferior a 10% uma quota do mundial A China, por outro lado, ultrapassou o patamar de 20% e, junto com a Índia, já responde por quase um terço do consumo mundial.

Fonte: APICCAPS

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